//Não há segurança em lugar nenhum

Não há segurança em lugar nenhum

2012-11-30T11:43:19+00:00novembro 30th, 2012|Notícias|

“Depois deste incidente já não há segurança em lugar nenhum”. Foi com estas palavras que o novo Cardeal nigeriano expressou sua consternação pelo mortal ataque a um templo cristão situado dentro de um importante estabelecimento militar.

O Cardeal John Onaiyekan, Arcebispo de Abuja, qualificou de “especialmente preocupante a explosão ocorrida no último domingo, 25 de novembro, em frente à igreja St. Andrew Military Protestant Church, situada dentro da Academia Militar nigeriana de Jaji, estado de Kaduna, na qual — segundo as últimas notícias — faleceram pelo menos 11 pessoas.

As forças armadas da Nigéria declararam que dois veículos suspeitos entraram no complexo; um deles, um ônibus, colidiu contra o muro da igreja; embora tenha causado uma explosão, não produziu vítimas. Quando se reuniu um grupo de pessoas para observar o que havia acontecido, produziu-se uma segunda e mais grave explosão, matando 11 pessoas e deixando outras 30 feridas.

Este foi o terceiro domingo consecutivo de ataques contra igrejas cristãs em Kaduna. Neste caso, o grupo islamista Boko Haram negou a autoria dos atentados.

Falando ainda de Roma, onde dois dias antes do ataque foi nomeado Cardeal pelo Papa Bento XVI, Dom Onaiyekan declarou à Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS): “Uma vez mais produziu-se uma grande tragédia; mas nesse caso, as circunstâncias são particularmente preocupantes”. Diante do fato de que os relatórios militares qualificam o incidente de “surpreendente e vergonhoso”, o Cardeal afirmou: “O ataque aconteceu em um dos principais complexos militares da Nigéria; certamente, um dos lugares mais seguros que alguém poderia imaginar”. E acrescenta: “Parece que estes tipos de ataques podem acontecer em qualquer lugar”. O Cardeal continuou afirmando que o incidente expõe amplas questões sobre a segurança na Nigéria. Conforme supõe o prelado, na Escola Militar a segurança ficou comprometida; também expõe a possibilidade de que os explosivos tivessem sido produzidos no interior do complexo, devido a um descuido na supervisão das pessoas com acesso ao estabelecimento militar.

Em um momento no qual surgem preocupações sobre a gestão do Presidente Goodluck Jonathan e com sua capacidade de enfrentar os progressivos ataques terroristas no país, o Cardeal Onaiyekan declarou: “O Governo está submetido à pressão de mostrar resultados. Há muita atividade, mas os resultados são escassos”. E acrescentou: “Esperamos que este incidente sirva para despertar o Governo e fazer que veja a necessidade de fazer mais do que está fazendo atualmente”. O Cardeal referiu que já tinha falado por telefone com dirigentes muçulmanos e que, depois do seu retorno ao país, tentaria reunir-se com representantes do Governo para falar da crise de segurança.

O ataque do domingo é o último de uma série de ataques contra o Governo, edifícios militares e das forças de segurança, mercados, igrejas e mesquitas. Os cristãos foram os mais afetados pelos incidentes: no dia 28 de outubro, cinco pessoas faleceram e 134 ficaram gravemente feridas em um ataque perpetrado durante a Missa na igreja católica de Santa Rita, em Kaduna. Em março, um porta-voz do Boko Haram declarou “a guerra aos cristãos” e disse que o grupo terrorista esperava “erradicar os cristãos de várias partes do país”. Segundo alguns informes, o grupo terrorista Boko Haram é responsável por 620 mortes na primeira metade de 2012, 170 a mais que em todo o ano anterior. Em uma sessão informativa mantida no Parlamento de Londres durante o mês passado, o Arcebispo Ignatius Kaigama, Presidente da Conferência Episcopal católica da Nigéria, afirmou: “Nós, os pastores, encontramo-nos em um estado de desespero quando vemos como crianças, mulheres e homens morrem vítimas das bombas. Que os terroristas possam cometer facilmente estes horríveis atos criminais contra pessoas inocentes, é preocupante”. O Arcebispo Kaigama e outros líderes da Igreja têm feito repetidas chamadas aos cristãos e a outras pessoas para que não respondam com represálias a estes ataques.

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